Direito à arma de fogo: quase 50% da população defende na grande Natal

Por Robson Pires 31/05/2018 - 09:41 hs

Em meio ao aumento dos números da violência em todo o Rio Grande do Norte, o potiguar revela o intuito de preservar o direito à própria defesa.

Segundo estudo inédito do Instituto Perfil realizado entre os dias 12 e 13 de maio a pedido do Agora RN, um total de 49,88% dos entrevistados defendem o direito à arma de fogo para segurança, seja para a proteção da família ou da propriedade.

A pesquisa ouviu 405 pessoas nas cidades de Natal e Parnamirim e procurou medir a opinião dos entrevistados sobre o direito de porte de armas para a civis. O tema, contudo, divide opiniões, pois 43,95% estão favoráveis à legislação. Outros 6,17% não souberam responder.

O fato é que 49,88% dos entrevistados defendem a revogação do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03). Segundo o juiz Henrique Baltazar, titular da Vara de Execuções Penais de Natal, o número expressivo reflete a percepção da população quanto à sensação de insegurança. “A atual estrutura policial não é suficiente para proteger o cidadão. A população acredita que uma arma pode ser uma forma de aumentar a sensação de segurança”, avalia o magistrado.

O promotor criminal Wendell Beethoven também avalia que a pesquisa reflete um anseio da população. “Ao redor do mundo, nenhum sistema de segurança fica exclusivamente a cargo da polícia. A população tem o direito de cuidar da própria segurança”, justifica. Ainda segundo ele, a lei deve ter mudanças. “Eu acho que lei necessita de mudanças. A legislação deve promover facilidades para a aquisição de uma arma de fogo”, explica.

Segundo Ivênio Hermes, do Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO), instituto ligado à Universidade Federal do Semiárido (Ufersa), o resultado da pesquisa do Instituto Perfil se deve ao pouco esclarecimento que as pessoas tem da questão do armamento civil. “O Brasil é um país com paupérrimos instrumentos de controle, como podemos ver nos exemplos de leis como Lei de Execuções Penais e o Estatuto da Criança e do Adolescente, nas quais as leis não são respeitadas nem pelos governos. Nesse aspecto, a liberação das armas virará uma bola de lama ladeira abaixo, sem controle adequado, com armas indo fortalecer mais ainda a dinâmica da violência”, justifica.AgoraRN